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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Coluna da semana: Varzedo e a eleição para prefeito, vice-prefeito e vereadores (coincidências e "mudanças!")




Varzedo, 2016: política, coincidências e "mudanças"

Por Jorge Amorim*

 





 

           Antes de discutir com você sobre a campanha política deste ano, que terminou na última quinta-feira (29-09), gostaria de relembrar acontecimentos na política de Varzedo ocorridos em um passado não tão distante...
            Para isso, voltarei à época de Varzedo quando era Vargem Grande até chegar aos dias atuais. Vamos lá!
            Escrevi no meu livro Entre a Serra e a Vargem (2007), com base em pesquisas, que em novembro de 1896 a disputa entre os candidatos a intendência – ou prefeitura – de Santo Antônio de Jesus, Francisco Félix de Barros e Almeida e Bernardo José Jambeiro, ficou acirrada no distrito de Vargem Grande.
            Em 1946, cinquenta anos após, já com o nome trocado para Varzedo, o distrito foi balançado por um conflito iniciado pela fofoca e terminado com a ida até lá de um sargento delegado chamado Antônio Alves de Anastácio.
            Aquele conflito, que mereceu até um pequeno livro intitulado Tempestade em copo dagua... [escrito assim] (1946), envolveu os grupos locais adversários ligados a UDN (União Democrática Nacional) e PSD (Partido Social Democrático).
            Mais cinquenta anos depois, em 1996, Varzedo viu a disputa para a eleição do seu terceiro prefeito – que acabou sendo eleita a primeira prefeita: Erotildes Silva Souza (1997-2000) – entre dona Tide e Manoel de Avelino (PFL) versus doutor Ismar e Elzo Nery (PTB).
Para ser mais exato, seguindo a atmosfera política daquele período o qual pude ser testemunha, foi o confronto entre nonoístas (seguidores e herdeiros políticos de Nonô) e antinonoístas, movimentos fortes naqueles anos da década de 90 do século XX.
O resultado que garantiu a Tide a vitória foi de 2.669 votos dados a ela contra os 1.920 encaminhados a doutor Ismar, ficando 79 votos para Edmilson, que desistiu de seguir, numa época que Varzedo possuía 4.668 pessoas aptas para exercer o sufrágio (ver site do TRE: http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-anteriores/eleicoes-1996/informacoes-quadro-partido-cargo).
Mas qual relação esses fatos políticos têm com a política de 2016?
A primeira, claro, é que em todos eles estavam sempre dois grupos oponentes fortes, mesmo que em 1996 tivesse o registro eleitoral de um terceiro candidato a prefeito, Edmilson (PSDB), o qual no fim da campanha acabou aderindo a candidata Tide.
Agora, em 2016, duas candidaturas mais uma vez marcaram – e como marcaram! – a continuidade da disputa entre dois agrupamentos rivais: Valtinho e Joaquim (PP, PSB, PT, PMDB, PR, PROS e PPL) versus Bahia e Gilmar (PSC, PSD, PTB, DEM, PPS, PC do B e PDT), lembrando muito a política de vinte anos atrás.
Em 1996, dona Tide e Manoel de Avelino eram aspirantes a prefeita e vice-prefeito; doutor Ismar e Elzo Nery concorriam aos mesmo cargos. Até aqui, tudo normal.
Enquanto dona Tide era da sede de Varzedo e Manoel de Avelino da comunidade do Barro, doutor Ismar era oriundo de outro município (São Miguel das Matas) e Elzo Nery da comunidade de Nossa Senhora do Carmo, de Varzedo.
Em 2016, Valtinho e Joaquim foram candidatos a prefeito e vice-prefeito; Bahia e Gilmar concorreram aos mesmos cargos.
Enquanto Valtinho é da sede de Varzedo – embora natural de Salvador – e Joaquim da comunidade do Albino, Bahia é originário de outro município e Gilmar da comunidade de Nossa Senhora do Carmo (apesar de hoje morar na sede).
Quanto ao resultado da atual corrida eleitoral à prefeitura de Varzedo, que deu a Bahia e Gilmar a vitória com 3.541 votos contra os 2.932 de Valtinho e Joaquim, vinte anos depois da eleição em que uma nativa (Tide) venceu uma pessoa vinda de fora (doutor Ismar) vimos ocorrer o contrário agora em 2016.
As análises que ouso fazer do êxito eleitoral de Bahia sobre Valtinho em Varzedo seriam as seguintes:
·         Utilização de diferentes estratégias para angariar eleitores;
·         A coligação que apoiou Bahia e Gilmar obteve a vitória diante de um antipetismo crescente no país e na Bahia;
·         Desgaste do laborioso governo de Radaman (PT) e ao seu corpo administrativo após oito anos (2009-2016);
·         Vontade de diminuição da violência local, tendo por finalidade a sensação de segurança, com um prefeito que tem a função estatutária de agente policial civil da Bahia;
·         Vinganças pessoais de muitos anos contra Valtinho, além de Radaman e Manoel de Avelino que o apoiaram.
Com exceção daqueles quatro primeiros pontos, o último foi passional para a maioria que digitava o “20 de Bahia” desejando ver Radaman fora, Valtinho sem chances de assumir o executivo, seu Manoel de Avelino no canto dele e os ocupantes de cargos comissionados voltando às suas funções no serviço público ou mesmo saindo para deixar o lugar vago para os “vencedores”.
Vendo como vi muitos rostos suados comemorando a eleição de Bahia e Gilmar, creio que posso atuar como um “pressagiador amador” e dizer hoje, 03 de outubro de 2016, que muitos daqueles rostos extasiados de alegria irão torná-los sua “Geni”, personagem cantada da música “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, mais para frente. Quem viver verá.
 O importante é que os eleitos em 02 de outubro coloquem em prática, a partir de primeiro de janeiro de 2017, a maioria do que está em seus programas de governo para atenuar em Varzedo a violência, manter as estradas vicinais, criar um sistema de comunicação que integre os polos distritais, valorizar a saúde, a educação, a história e as culturas do lugar.
Embora não tenha apoiado, desejo parabéns pela vitória e boa gestão a partir do ano que vem ao prefeito Bahia, vice-prefeito Gilmar e aos vereadores – por ordem de votação – Jô de Gilmar, Fabinho, Luizinho de Manoel de Avelino, Nau de Belo, Neto de Tonho de Eurides, Nengo, Pinto de Playboy, Antônio de Darino e Zelino.
Afinal, eles não serão os representantes dos seus eleitores somente, mas de todos os varzedenses, favoráveis ou desfavoráveis às suas gestões.
Ah, e uma coincidência final. Depois de vinte anos da saída da última vereadora, que foi dona Maria Perpétua, a câmara municipal voltará a ter uma presença feminina, Jô de Gilmar, que neste escrutínio ficou em primeiro lugar com 475 votos. De agora em diante, ela será vereadora Jucélia.
 Até nosso próximo blog.

* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo emancipatório de Varzedo (disponível na internet), e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do livro Entre a Serra e a Vargem (2007) e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. E-mail para contato: amorimdoporto@hotmail.com
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