Nesta quarta feira (17/05) feriado municipal ( Projeto de Lei n° 003/92) completou 25 anos do falecimento do primeiro prefeito de Varzedo Manoel José de Souza, (Nonô).
Nonô foi assassinado, no dia 17 de maio, do ano de 1992. Ele era o principal líder político da região e primeiro prefeito de Varzedo, após a emancipação.Conheça um Pouco sobre sua história de vida neste texto publicado aqui no Voz do recôncavo pelo nosso colunista Jorge Amorim.
Nonô foi assassinado, no dia 17 de maio, do ano de 1992. Ele era o principal líder político da região e primeiro prefeito de Varzedo, após a emancipação.Conheça um Pouco sobre sua história de vida neste texto publicado aqui no Voz do recôncavo pelo nosso colunista Jorge Amorim.
Respeitado por muitos, xingado por outros, odiado por tantos ouros e adorado por diversas pessoas, Nonô continua a ser ainda hoje uma figura presente em Varzedo, e não é somente através do seu busto exposto na Praça 08 de Dezembro, do seu nome dado à Escola Municipal Prefeito Manoel José de Souza, à Praça Prefeito Manoel José de Souza (Praça do Mercado) e ao Posto de Saúde Prefeito Manoel José de Souza, que fica no Tabuleiro do Braga.
Na verdade, se a gente prestar bastante atenção na política de Varzedo, de 1993 até 2016, a influência de Nonô permanece firme nos políticos ligados aos diferentes segmentos locais, começando pelo executivo municipal chegando até a câmara de vereadores. Como isto é possível? Voltemos no tempo...
Nascido em 05 de junho de 1920 com o nome de batismo Manoel José de Souza e filho de pais arrendeiros** da fazenda dos Sampaio, Nonô trabalhou por anos como mascate pela região, abrindo em 1952 sua Loja Sudoeste, comércio de venda de tecidos. Casado com Erotildes Silva (Tide), filha do fazendeiro Eduardo Silva, em janeiro de 1954, o comerciante acabou entrando na política.
Com o apoio de Deraldo Demósthenes da Silva – pai biológico de Deraldinho, esposo de Lúcia da professora Mocinha, Ari e Deraci – e Enéas Cardoso de Almeida, ligados ao PSD, Nonô foi eleito vereador “quebrando” com a superioridade política das famílias Oliveira, Quadros e Jesus que vinha desde a década de 1910.
Posso dizer que ele, afrodescendente de origem pobre e semianalfabeto, foi diminuindo o poder daquelas famílias na política da vila de Varzedo.
Daqueles anos 1950 até 1988, Nonô estigmatizou seu poderio como vereador por meio deste seu apelido, da sua ligação com os prefeitos de Santo Antônio de Jesus – quando Varzedo pertencia a este – e das suas ações políticas que podemos denominá-las de práticas. Em mais de 30 anos de vereança, aliando-se com amigos e adversários, o filho de José Félix e dona Cecília enraizou e expandiu sua política assistencialista.
Tendo várias ligações com clínicas médicas, médicos, enfermeiros e o hospital de Santo Antônio de Jesus, Nonô conduzia enfermos, gestantes, corpos e feridos para aqueles centros de tratamento de saúde, servindo ainda como uma espécie de “farmacêutico sem diploma” na sua Farmácia Sudoeste, em Varzedo, tratando de lesões, dentes cariados e doenças leves, sem nunca deixar de baforar seu charuto.
Dentre muitos dos seus “pacientes”, muitos foram os eleitores que – talvez sob conselhos de Nonô – acabaram sendo picados pela “mosca azul” da política, muitos dos quais atuando em dias atuais na política local como vereadores.
Dentre vários vereadores e candidatos, das seis eleições municipais ocorridas de 1992 até 2012 em cinco estavam candidatos a prefeito e vice-prefeito que pertenceram ao “grupo de Nonô” e seus herdeiros Valtinho (1993-1996) e Tide (1997-2000). A exceção foi em 2004, quando Déu Araújo (2005-2008) saiu vitorioso do pleito como prefeito e Toinho vice-prefeito.
Fora quaisquer partidos, os parentes, amigos e afilhados de Nonô ocupantes de cargos públicos carregam a herança de seu mentor político – uns pouco mais, outros pouco menos –, alguns agindo das formas bem próximas das dele.
A morte de Nonô, ocorrida em 17 de maio de 1992, um domingo ensolarado de outono, marcou a continuação das suas influências nos discursos, no feriado municipal (17/05, Projeto de Lei n° 003/92), na câmara municipal, no executivo municipal e na mentalidade varzedense da época.
Nonô foi filho do seu tempo. Nasceu num período que trazia restos de épocas anteriores, como as dos velhos coronéis que lemos em romances e em livros de história. Mas ele trazia uma “nova” forma de mando local.
Era o mando caracterizado pela soma de DOMÍNIO+TEMOR+RESPEITO+AMOR. Ele ditava o que os outros deveriam fazer e esses obedeciam (TEMOR+DOMÍNIO); era chamado ou visitado para dar conselhos (RESPEITO); e raramente saía de Varzedo (AMOR).
Era aquele que estava próximo do povo e, ao mesmo tempo, bem relacionado com políticos importantes.
Nonô (a direita, a frente) recebendo em sua casa o prefeito de Santo Antônio de Jesus, José Trindade Lôbo (1963-1966), ao centro, e o então governador da Bahia Lomanto Júnior (1963-1967), à esquerda. No canto esquerdo, veem-se muitos populares da vila de Varzedo. Fonte: Valter Bonfim Lago.
Quem o conheceu sabia que a sua rotina diária era casa-farmácia-bar, na qual era realizada em um dos seus veículos ou a pé. Repetia palavras em falas coloquiais, completando-as com o velho jargão em forma de xingamento: “filho da p...”. Era uma raposa política.
Não que ele continue influenciando as práticas políticas de muitos dos nossos representantes, pois alguns destes já estão mais adequados aos tempos de hoje. Mas, querendo ou não, alguns que já ocuparam cadeiras na câmara municipal e no executivo trazem um gene de "DNA nonoísta", mesmo que hoje discorde do que ele fez no passado.
Muitos dos que leem este blog talvez não os tenha conhecido, somente ouvindo falar dele através dos mais velhos. Ter escrito um pouco sobre Nonô foi ter revivido uma figura que deixou marcas na história política e social varzedenses. Assim como outros, ele não pode ser jogado na vala comum do esquecimento.
Creio não ter tornado Nonô nem herói nem vilão, mas sim um ser humano dotado de características humanas, de acordo com o seu tempo, seguindo seus interesses particulares ou coletivos. Nonô não pode ser visto como um mito ou um mártir, e sim um político que fez o máximo por sua terra. Se isso se chamou amor ou interesse, caberá a cada um interpretar.
Texto de Jorge Amorim editado por Jefferson/Voz do recôncavo





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