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domingo, 13 de novembro de 2016

* Coluna da semana: União é o antídoto para Varzedo



União, o melhor que desejo para Varzedo

Por Jorge Amorim*

Você, eu e todas as torcidas dos times brasileiros de futebol sabemos que nada foi mais alimentado nos últimos tempos do que a divisão na política. Não é que ela nunca existiu. Pelo contrário, ela esteve presente na antiga Atenas de Sócrates, na época de Nicolau Maquiavel e nestes tempos de World Wide Web (www...).  
O estranho é ver que há muita contradição, mas muita mesmo, quando lemos em perfis de redes sociais um monte de gente usar frases religiosas e o nome da Providência Divina lado a lado a termos depreciativos, ainda voltados a época eleitoral e aos candidatos que não tiveram resultados felizes.
Além disso, e o mais decepcionante, é ver naqueles mesmos perfis termos como “Dedicação”, “Sacrifício”, “Fé”, “Esperança” e “Mudança” dando tom de equilíbrio, como se tivessem saído da boca de seres celestiais, enquanto que na vida real as ações estão embriagadas de vingança, depreciação e certa vontade de manutenção de “divisão entre irmãos de lugar”.
E quem seriam estes “irmãos”? Os próprios varzedenses.
Mas como posso falar em “irmãos varzedenses” se muitos deles preferem conservar a desunião nua e crua em detrimento de uma irmanação entre os contrários? Mais. Quem promove isso não é a política – sempre querem apontar algo ou alguém –, mas as próprias pessoas, conduzidas pela paixão exagerada e cega.
Um exemplo. Aposto como você deve ter ouvido muita gente em Varzedo dizer que o presidente eleito dos Estados Unidos em 08 de novembro último, o republicano Donald Trump, traria o “fim do mundo” por ele ter criado um discurso contra os estrangeiros, os islâmicos e tudo.
Mas algo, adequado a realidade, não estaria ocorrendo em Varzedo?
Olhe bem. Não quero dizer que nas “terras entre a Serra do Guariru e as vargens” há um “Trump”, longe disto. Quero dizer sim que o “discurso de divisão entre os varzedenses” foi alimentado por candidatos e por eleitores, permanecendo nos dias que correm.
Será que ninguém vê isso ou muita gente estaria ainda anestesiada pela “ideia de mudança”?
Creio que a mudança a ser promovida pelo prefeito Bahia e seu grupo seria a da união entre os varzedenses que votaram contra e a favor dele. É uma tarefa de Hércules, pois tem que partir primeiramente dele, o ocupante do mais alto cargo público de Varzedo.
E como fazer com que seus eleitores e os eleitores de Valtinho, ao menos os mais apaixonados, joguem suas armas ao chão?
Ah, vai depender mais deles do que de qualquer prefeito, governador, presidente da república e de Deus. E quando as coisas parecerem que alcançaram seu equilíbrio é aí que quem foi favorável se tornará adversário ao ser alvejado pela flecha da decepção.
Aí virão os velhos xingamentos, reclamações, lágrimas de raiva e ranger de dentes.
Gostaria que a palavra “mudança”, defendida pela “Família 20”, ocorresse de verdade. Mas sinceramente, creio que será mais uma palavra guardada na lembrança dos perfis do Facebook e nas músicas da campanha de 2016. Posso até errar nisto que digo, entretanto conhecer é mais que prever.
Repito: a união deve começar no lugar onde habitamos, com as pessoas que conhecemos. Ou, ao invés de se unirem para o benefício geral, alguns varzedenses permanecerão seguindo o velho provérbio “farinha pouca, meu pirão primeiro”?
Ficarei um tempo sem postar blogs nesta coluna.

* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo emancipatório de Varzedo (disponível na internet), e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do livro Entre a Serra e a Vargem (2007) e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. Compôs, juntamente com Luiz Antônio Santos Souza (professor Luizinho) e Nailton Santana (Nai) o Hino Oficial de Varzedo (Lei Municipal n. 212/2007). E-mail para contato: amorimdoporto@hotmail.com

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