As
emoções que ecoam nestes tempos de política varzedense...
Por Jorge Amorim*
...
E posso dizer, com conhecimento de causa, que não são vistas e características
somente na campanha eleitoral em vigor. Não. Antes de falar do que tenho visto
e ouvido nestes 45 dias de acirramento, citarei alguns fatos que marcaram
emotivamente outras campanhas.
Na
de 1989, o que movia muita gente na defesa dos seus candidatos a prefeito e
vice-prefeito, Nonô e Mesquita versus
Flomário e Chico, era participar dos comícios vestindo, literalmente, os
cartazes com as fotos deles.
Na
de 1992, quando tivemos Valtinho como único candidato a prefeito, a emoção
eleitoral foi mais patente devido o assassinato do prefeito Nonô, em maio
daquele ano, pai adotivo de Valtinho e que o havia indicado à sua sucessão.
1996
trouxe a rivalidade entre a candidata Tide e o candidato doutor Ismar, ou seja,
a disputa da mulher nascida em Varzedo contra o oponente nascido no município
de São Miguel das Matas. Ativou-se ali, pela segunda vez, a briga política da
nativa versus alguém vindo de fora.
Em
2000, 2004, 2008 e 2012, com candidatos oponentes varzedenses, a paixão em
defender a cor de cada um deles passou a ficar mais evidente, principalmente com
o que denomino de “visibilidade do voto”, em que grande parte dos moradores do
município mostra em quem vota... E, à vezes, com paixão.
E
agora, em 2016, como as emoções estão agitando a campanha eleitoral?
Já
ouvi relatos de que a paixão inclinada para um ou outro candidato levou a
atritos físicos, quase um UFC, entre alguns dos seus passionais seguidores, os
quais parecem adorar provocações que afetam os brios dos seus adversários. E o
pior é que a maioria se conhece de muitos anos.
Os
nervos à flor da pele ficam mais exaltados quando o eleitor de um candidato vê
um número maior de bandeiras da cor do candidato oponente no cume das casas,
deixando aquele com perguntas do tipo: “- Será que o povo ‘virou’?”, “- O povo
tá sendo comprado?”, “- Quem ‘botou’ bandeira de Fulano vai votar nele?”.
Quer
ver um tipo de emoção comum em muitos varzedenses?
O
“masoquismo eleitoral”, isto é, uma espécie de sofrimento causado pela vontade
de ver, e confirmar, que as passeatas e as concentrações políticas dos
adversários reúnem mais gente que as do seu candidato a prefeito.
Mas
há algo que impede muitos sentirem esse “masoquismo eleitoral”, que é a
cegueira em querer ver o que não existe, a cegueira em não estar vendo a incapacidade,
a impossibilidade e as mentiras do candidato que irá digitar seu voto. Por que
isso acontece?
Por
razão de o eleitor estar um “apaixonado eleitoral”, vendo no seu aspirante ao
cargo do executivo municipal T-U-D-O e no outro opositor N-A-D-A, chegando a
ponto de xingá-lo, caluniá-lo e difamá-lo, excluindo qualquer respeito
existente. O Facebook que o diga...
O
disse-me-disse é, talvez, a força motriz mais usada nesta época. Boatos que são
alimentados, fuxicos que tomam corpo e inverdades que parecem verdades levam
até mentes mais racionais reproduzirem as opiniões sem base verídica.
E
na intenção de exaltar seu candidato, a raiva – ou ira, um dos sete pecados
capitais – apaixonada leva o eleitor a denegrir o outro candidato com histórias
de compra de lideranças políticas citando até valores, com relatos de que ele
foi a um terreiro fazer trabalho de macumba negativa ou elaborar feitiço brabo.
“O negócio é sério!!”
Querendo
ou não, sendo varzedense, mas confesso que muitos dos meus conterrâneos adoram
falar estas coisas, criá-las e aumentá-las por quilômetros a partir das CBVs,
Centrais de Boataria Varzedense, que podemos achar em diversos lugares do
município, vinculados a um local onde tudo aquilo, e outras coisas mais, é forjado.
Muita
gente diz não ver a hora de acabar toda essa efervescência política para o
lugar retornar à mesmice. No íntimo, porém, - e aqui pra nós! - participando ou não dos eventos
políticos (passeatas, carreatas, visitas e concentrações políticas), muitos
varzedenses gostam deste período de tantas emoções.
Esta
imagem, registrada em 2008, nos traz uma ideia da diversidade de emoções,
caracterizada pelo número de participantes, motocicletas e carros. Se alguns
foram por iniciativa própria, por um trocado ou um gole de cachaça não sei
dizer.
O
que posso dizer é que aquela parte de Varzedo, que fica próxima das fazendas de
dona Perpétua e Onézimo (perto do distrito do Tabuleiro do Castro), representa
bem o quanto os tempos político-eleitorais mobilizam as pessoas. Algumas até tentam encontrar alguém para realizar apostas!!
Mesmo sabendo que as emoções têm o seu eco na política de Varzedo, é uma pena
que elas acabam excluindo as discussões sobre o futuro do município, deixando a
razão em segundo plano.
Até
nosso próximo blog.
* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa
(Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo
emancipatório de Varzedo (disponível na internet),
e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do
livro Entre a Serra e a Vargem (2007)
e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. E-mail
para contato: amorimdoporto@hotmail.com



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