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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Coluna da semana: Quais emoções estão presentes na política de Varzedo deste ano?




As emoções que ecoam nestes tempos de política varzedense...


Por Jorge Amorim*

 
 
... E posso dizer, com conhecimento de causa, que não são vistas e características somente na campanha eleitoral em vigor. Não. Antes de falar do que tenho visto e ouvido nestes 45 dias de acirramento, citarei alguns fatos que marcaram emotivamente outras campanhas.
Na de 1989, o que movia muita gente na defesa dos seus candidatos a prefeito e vice-prefeito, Nonô e Mesquita versus Flomário e Chico, era participar dos comícios vestindo, literalmente, os cartazes com as fotos deles.
Na de 1992, quando tivemos Valtinho como único candidato a prefeito, a emoção eleitoral foi mais patente devido o assassinato do prefeito Nonô, em maio daquele ano, pai adotivo de Valtinho e que o havia indicado à sua sucessão.
1996 trouxe a rivalidade entre a candidata Tide e o candidato doutor Ismar, ou seja, a disputa da mulher nascida em Varzedo contra o oponente nascido no município de São Miguel das Matas. Ativou-se ali, pela segunda vez, a briga política da nativa versus alguém vindo de fora.
Em 2000, 2004, 2008 e 2012, com candidatos oponentes varzedenses, a paixão em defender a cor de cada um deles passou a ficar mais evidente, principalmente com o que denomino de “visibilidade do voto”, em que grande parte dos moradores do município mostra em quem vota... E, à vezes, com paixão.
E agora, em 2016, como as emoções estão agitando a campanha eleitoral?
Já ouvi relatos de que a paixão inclinada para um ou outro candidato levou a atritos físicos, quase um UFC, entre alguns dos seus passionais seguidores, os quais parecem adorar provocações que afetam os brios dos seus adversários. E o pior é que a maioria se conhece de muitos anos.
Os nervos à flor da pele ficam mais exaltados quando o eleitor de um candidato vê um número maior de bandeiras da cor do candidato oponente no cume das casas, deixando aquele com perguntas do tipo: “- Será que o povo ‘virou’?”, “- O povo tá sendo comprado?”, “- Quem ‘botou’ bandeira de Fulano vai votar nele?”.
Quer ver um tipo de emoção comum em muitos varzedenses?
O “masoquismo eleitoral”, isto é, uma espécie de sofrimento causado pela vontade de ver, e confirmar, que as passeatas e as concentrações políticas dos adversários reúnem mais gente que as do seu candidato a prefeito.
Mas há algo que impede muitos sentirem esse “masoquismo eleitoral”, que é a cegueira em querer ver o que não existe, a cegueira em não estar vendo a incapacidade, a impossibilidade e as mentiras do candidato que irá digitar seu voto. Por que isso acontece?
Por razão de o eleitor estar um “apaixonado eleitoral”, vendo no seu aspirante ao cargo do executivo municipal T-U-D-O e no outro opositor N-A-D-A, chegando a ponto de xingá-lo, caluniá-lo e difamá-lo, excluindo qualquer respeito existente. O Facebook que o diga...
O disse-me-disse é, talvez, a força motriz mais usada nesta época. Boatos que são alimentados, fuxicos que tomam corpo e inverdades que parecem verdades levam até mentes mais racionais reproduzirem as opiniões sem base verídica.
E na intenção de exaltar seu candidato, a raiva – ou ira, um dos sete pecados capitais – apaixonada leva o eleitor a denegrir o outro candidato com histórias de compra de lideranças políticas citando até valores, com relatos de que ele foi a um terreiro fazer trabalho de macumba negativa ou elaborar feitiço brabo.
 “O negócio é sério!!”
Querendo ou não, sendo varzedense, mas confesso que muitos dos meus conterrâneos adoram falar estas coisas, criá-las e aumentá-las por quilômetros a partir das CBVs, Centrais de Boataria Varzedense, que podemos achar em diversos lugares do município, vinculados a um local onde tudo aquilo, e outras coisas mais, é forjado.
Muita gente diz não ver a hora de acabar toda essa efervescência política para o lugar retornar à mesmice. No íntimo, porém, - e aqui pra nós! - participando ou não dos eventos políticos (passeatas, carreatas, visitas e concentrações políticas), muitos varzedenses gostam deste período de tantas emoções.



 Esta imagem, registrada em 2008, nos traz uma ideia da diversidade de emoções, caracterizada pelo número de participantes, motocicletas e carros. Se alguns foram por iniciativa própria, por um trocado ou um gole de cachaça não sei dizer.
O que posso dizer é que aquela parte de Varzedo, que fica próxima das fazendas de dona Perpétua e Onézimo (perto do distrito do Tabuleiro do Castro), representa bem o quanto os tempos político-eleitorais mobilizam as pessoas. Algumas até tentam encontrar alguém para realizar apostas!!
Mesmo sabendo que as emoções têm o seu eco na política de Varzedo, é uma pena que elas acabam excluindo as discussões sobre o futuro do município, deixando a razão em segundo plano.
Até nosso próximo blog.

* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo emancipatório de Varzedo (disponível na internet), e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do livro Entre a Serra e a Vargem (2007) e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. E-mail para contato: amorimdoporto@hotmail.com
 

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