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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coluna da semana: A disputa pela prefeitura de Varzedo no Facebook





Política de Varzedo nas “curtidas”, “comentadas” e “compartilhadas” do Facebook

Por Jorge Amorim*




Morando em Valença, município do Baixo sul baiano, mas com o umbigo enterrado em Varzedo, localidade da porção sul do Recôncavo baiano, não deixo de navegar sempre que posso nos perfis de conterrâneos no Facebook, ainda mais neste período quente de campanha eleitoral.
São sorrisos escancarados, o tradicional sinal de “V” de vitória feito pelos dedos indicador e maior, camisas nas cores que definem os candidatos a prefeito, cabelos passados na chapinha, gente se abraçando, gente maquiada etc. Tudo no “tá tranquilo, tá favorável!”.
Sei que muitos varzedenses de diferentes idades comentam, curtem e compartilham aquelas imagens pela infinita “galáxia da internet”, termo que reproduzo do sociólogo espanhol Manuel Castells e que dá título a uma das suas muitas obras (“Galáxia da Internet”, de Manuel Castells, Zahar Editora).
Embora seja um ambiente onde para muitos pode ser a chance de expor sua imagem e suas ideias, alguns outros tratam de torná-lo um verdadeiro campo de batalha político.
Algo interessante que tenho visto é que em vários “compartilhamentos” os nomes de Deus e de Jesus são sempre citados, sendo escritos com as iniciais minúsculas.
 “Jesus ta (escrito assim – correto é ‘tá’ ou ‘está’) no controle”, “Deus está no comando” e “Em nome de Jesus” demonstram a solicitação de duas das três mais altas figuras da Santíssima Trindade.
 Considero inoportuno ver os imaculados nomes de Jesus e Deus completando frases como as citadas acima e colocados como principais responsáveis pelo “controle” e “comando” de tudo na política, como se os responsáveis reais não devessem ser os próprios eleitores.
Chato e terrível é quando vejo essa tentativa de ligação da religião com a política, em que na verdade, por baixo disso, estão atitudes ilícitas, calúnias, fuxicos e mentiras.
Uma coisa é “curtir”, “comentar” e “compartilhar” pelo Facebook; outra coisa totalmente diferente é espalhar inverdades no mundo real.
Tem mais. Como professor que sou – embora seja da área da ciência da História –, coloco a mão na cabeça, arregalo os olhos e digo “meu Deus!” ao ler em certos perfis os tétricos comentários: “mundaca” ao invés de “mudança”, “É nóis” ao contrário de “Somos nós” e “nao abro mao” sem o acento til em “não” e “mão”.
Estes termos errados li por estes dias na rede social fundada pelo norte-americano Mark Zuckerberg, digitados por alguns eleitores varzedenses.
Quem disser para mim que o importante é a mensagem emitida estará assassinando mais e mais a nossa singular e plural língua portuguesa, juntamente com que digitou.
E o que dizer das colocações contraditórias de alguns desses eleitores, quando postam que não tem o que falar do “candidato oponente”, mas deixam subentendido, ou entendido mesmo, que ele e seu grupo usam o “voto de cabresto”, “a falta de respeito ao ser humano”, “meios para denigrir” (escrito assim – correto é “denegrir”) e “meios corruptos”.
Aconselho aos incautos que pensem no que comentam e, se possível, faça uma releitura antes de digitar o Enter.
O mais impressionante, por outro lado, é que existe um ódio escancarado nos comentários feitos a um ou a outro candidato a prefeito, havendo a criação de depreciações totalmente pessoais e a falta de base de conhecimento em determinados assuntos.
Aí vejo que há a explanação daquilo que se deve execrar por parte dos eleitores: raiva, mentiras, invencionices e a desinformação de que uma difamação comentada pode levar o usuário a ser processado por quem se sentir lesado.
Palavra de quem ouviu isto de amigos, parentes e sogra advogados.
Para evitar quaisquer tipos de dúvidas, aconselho que acesse o site do Tribunal Regional Eleitoral, clique no ícone “Eleições” e no link “Eleições 2016”. Aqui você clicará em “Divulgação de candidaturas e contas eleitorais”, mas se quiser facilitar vá direto a: http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2016/divulgacao-de-candidaturas-e-contas-eleitorais.
Ao escolher o município de Varzedo, antes de ir ver as importantíssimas “Propostas de Governo”, navegue um pouco pelos “Dados Pessoais” dos prefeituráveis (Nome completo, Grau de instrução, Nacionalidade-naturalidade, Limite de Gasto etc.) para fazer uma comparação com o que você, eleitor varzedense, vê e ouve no dia a dia do nosso município.
Por uma questão de bom senso e de equilíbrio, saber melhor acerca dos nossos candidatos a prefeito de Varzedo é evitar um linchamento virtual, algo aberrante numa sociedade como a nossa.
Saindo um pouco de Varzedo para epilogar este blog, direi somente mais uma coisinha. Como tudo tem uma origem...
As trocas de farpas hoje postadas no mundo virtual tiveram seu início nas antigas rivalidades reais entre os seguidores dos grupos políticos Beija-Flor e Jacu, ambos de Santo Antônio de Jesus, bastantes fortes dos anos 1960 até os 1990, voltando à tona da eleição de 2008 para cá, conforme registrei na imagem abaixo, estando em destaque a bandeira com as cores do grupo Beija-Flor: vermelho, branco e azul.



Voltando a Varzedo, desejo imensamente que o mundo virtual seja saudável para quem navega postando seus comentários, curtições e compartilhamentos, evitando digitar uma coisa ali com o fim de transformá-lo numa arena política e manchada de termos errôneos e chulos.
Mesmo tendo a minha preferência para prefeito, em hipótese alguma utilizaria este espaço virtual para depreciar com palavras de baixo calão o candidato que não depositarei meu voto. Não façamos com os outros o que não desejaríamos que fizessem conosco ou com os nossos próximos.
Até nosso próximo blog.
 
* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo emancipatório de Varzedo (disponível na internet), e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do livro Entre a Serra e a Vargem (2007) e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença.
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1 comentários:

  1. Concordo em gênero, número e grau. O homem é politico (ou politizado) por natureza. Mas isso não nos faz "canibais ideológicos massacradores da lingua pátria". Sabemos das velhas rivalidades santoantonienses entre jacu e beija-flor (sim, ouso-me a escrevê-las em letras minúsculas), rivalidades estas vistas em outras localidades.
    Mas voltando, estamos, nestes períodos "midiáticos", fortalecidos pelas crescentes redes sociais, sendo "atacados" por pessoas que, para demonstrar a suas "tórridas paixões politiqueiras" deturpam ou corrompem nossa língua para agredir outros candidatos ou outras pessoas quaisquer. E o mais grave, se utilizam (inadivertidamente?) da Santíssima Trindade (sim, porque eu já ouvi aberrações em nome de Deus, de Jesus e de Maria) para dizer que "tá tranquilo, tá favorável" (bordão este, aliás, acefálico). Tranquilo para quem? Favorável para que? Não se ouve mais um debate político sério, fundamentado... ou se agride ou se agride. E a lígua portuguesa? Esta está pela "hora da misericórdia". Independente de posicionamentos políticos, devemos sempre lembrar que este certame político tem dia e hora para acabar, e depois, continuaremos vizinhos, amigos ou conhecidos, governados por uma pessoa, que deve a todos uma governo ítegro. Independente da camisa que vestiu. E essa situação de colocar o nome de Deus, Jesus ou Maria com "apoiadores políticos" é absurda. Fico abismado com todas estas infames colocações. Religião é religião; política é política; já a ignorância... cada um decide se terá ou não terá. Este é um período em que muitos esquecem quem são e atacam sem dó, sem piedade, jogando fora o entendimento superior do "não faça para o outro aquilo que não queres para si".
    Há um trecho da música "Seasons on the abyss", do Slayer, que diz: "Feche seus olhos e esqueça seu nome Saia de si e deixe seus pensamentos drenar, enquanto você enlouquece... enlouquece"...
    O mundo não está muito "normal" por estes períodos... muitos estão se afastando da Santíssima Trindade, mas sabe "rogá-los" para as mais absurdas situações...

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