Política
de Varzedo nas “curtidas”, “comentadas” e “compartilhadas” do Facebook
Por Jorge Amorim*
Morando
em Valença, município do Baixo sul baiano, mas com o umbigo enterrado em
Varzedo, localidade da porção sul do Recôncavo baiano, não deixo de navegar sempre
que posso nos perfis de conterrâneos no Facebook, ainda mais neste período
quente de campanha eleitoral.
São
sorrisos escancarados, o tradicional sinal de “V” de vitória feito pelos dedos
indicador e maior, camisas nas cores que definem os candidatos a prefeito,
cabelos passados na chapinha, gente se abraçando, gente maquiada etc. Tudo no
“tá tranquilo, tá favorável!”.
Sei
que muitos varzedenses de diferentes idades comentam, curtem e compartilham
aquelas imagens pela infinita “galáxia da internet”, termo que reproduzo do
sociólogo espanhol Manuel Castells e que dá título a uma das suas muitas obras
(“Galáxia da Internet”, de Manuel Castells, Zahar Editora).
Embora
seja um ambiente onde para muitos pode ser a chance de expor sua imagem e suas
ideias, alguns outros tratam de torná-lo um verdadeiro campo de batalha
político.
Algo interessante que tenho visto é que em vários “compartilhamentos” os nomes
de Deus e de Jesus são sempre citados, sendo escritos com as iniciais
minúsculas.
“Jesus
ta (escrito assim – correto é ‘tá’ ou ‘está’) no controle”, “Deus está no
comando” e “Em nome de Jesus” demonstram a solicitação de duas das três mais
altas figuras da Santíssima Trindade.
Considero inoportuno ver os imaculados nomes
de Jesus e Deus completando frases como as citadas acima e colocados como
principais responsáveis pelo “controle” e “comando” de tudo na política, como
se os responsáveis reais não devessem ser os próprios eleitores.
Chato
e terrível é quando vejo essa tentativa de ligação da religião com a política,
em que na verdade, por baixo disso, estão atitudes ilícitas, calúnias, fuxicos
e mentiras.
Uma
coisa é “curtir”, “comentar” e “compartilhar” pelo Facebook; outra coisa
totalmente diferente é espalhar inverdades no mundo real.
Tem
mais. Como professor que sou – embora seja da área da ciência da História –,
coloco a mão na cabeça, arregalo os olhos e digo “meu Deus!” ao ler em certos
perfis os tétricos comentários: “mundaca”
ao invés de “mudança”, “É nóis” ao
contrário de “Somos nós” e “nao abro mao”
sem o acento til em “não” e “mão”.
Estes
termos errados li por estes dias na rede social fundada pelo norte-americano
Mark Zuckerberg, digitados por alguns eleitores varzedenses.
Quem
disser para mim que o importante é a mensagem emitida estará assassinando mais
e mais a nossa singular e plural língua portuguesa, juntamente com que digitou.
E
o que dizer das colocações contraditórias de alguns desses eleitores, quando
postam que não tem o que falar do “candidato
oponente”, mas deixam subentendido, ou entendido mesmo, que ele e seu grupo
usam o “voto de cabresto”, “a falta de respeito ao ser humano”, “meios para denigrir” (escrito assim – correto é “denegrir”) e “meios corruptos”.
Aconselho
aos incautos que pensem no que comentam e, se possível, faça uma releitura
antes de digitar o Enter.
O
mais impressionante, por outro lado, é que existe um ódio escancarado nos
comentários feitos a um ou a outro candidato a prefeito, havendo a criação de
depreciações totalmente pessoais e a falta de base de conhecimento em
determinados assuntos.
Aí
vejo que há a explanação daquilo que se deve execrar por parte dos eleitores:
raiva, mentiras, invencionices e a desinformação de que uma difamação comentada
pode levar o usuário a ser processado por quem se sentir lesado.
Palavra
de quem ouviu isto de amigos, parentes e sogra advogados.
Para
evitar quaisquer tipos de dúvidas, aconselho que acesse o site do Tribunal Regional Eleitoral, clique no ícone “Eleições” e no link “Eleições 2016”. Aqui você clicará em “Divulgação de
candidaturas e contas eleitorais”, mas se quiser facilitar vá direto a: http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2016/divulgacao-de-candidaturas-e-contas-eleitorais.
Ao
escolher o município de Varzedo, antes de ir ver as importantíssimas “Propostas
de Governo”, navegue um pouco pelos “Dados Pessoais” dos prefeituráveis (Nome
completo, Grau de instrução, Nacionalidade-naturalidade, Limite de Gasto etc.)
para fazer uma comparação com o que você, eleitor varzedense, vê e ouve no dia
a dia do nosso município.
Por
uma questão de bom senso e de equilíbrio, saber melhor acerca dos nossos
candidatos a prefeito de Varzedo é evitar um linchamento virtual, algo
aberrante numa sociedade como a nossa.
Saindo
um pouco de Varzedo para epilogar este blog,
direi somente mais uma coisinha. Como tudo tem uma origem...
As
trocas de farpas hoje postadas no mundo virtual tiveram seu início nas antigas
rivalidades reais entre os seguidores dos grupos políticos Beija-Flor e Jacu,
ambos de Santo Antônio de Jesus, bastantes fortes dos anos 1960 até os 1990,
voltando à tona da eleição de 2008 para cá, conforme registrei na imagem abaixo,
estando em destaque a bandeira com as cores do grupo Beija-Flor: vermelho,
branco e azul.
Voltando
a Varzedo, desejo imensamente que o mundo virtual seja saudável para quem
navega postando seus comentários, curtições e compartilhamentos, evitando
digitar uma coisa ali com o fim de transformá-lo numa arena política e manchada
de termos errôneos e chulos.
Mesmo
tendo a minha preferência para prefeito, em hipótese alguma utilizaria este
espaço virtual para depreciar com palavras de baixo calão o candidato que não
depositarei meu voto. Não façamos com os outros o que não desejaríamos que
fizessem conosco ou com os nossos próximos.
Até
nosso próximo blog.
* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa
(Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo
emancipatório de Varzedo (disponível na internet),
e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do
livro Entre a Serra e a Vargem (2007)
e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença.




Concordo em gênero, número e grau. O homem é politico (ou politizado) por natureza. Mas isso não nos faz "canibais ideológicos massacradores da lingua pátria". Sabemos das velhas rivalidades santoantonienses entre jacu e beija-flor (sim, ouso-me a escrevê-las em letras minúsculas), rivalidades estas vistas em outras localidades.
ResponderExcluirMas voltando, estamos, nestes períodos "midiáticos", fortalecidos pelas crescentes redes sociais, sendo "atacados" por pessoas que, para demonstrar a suas "tórridas paixões politiqueiras" deturpam ou corrompem nossa língua para agredir outros candidatos ou outras pessoas quaisquer. E o mais grave, se utilizam (inadivertidamente?) da Santíssima Trindade (sim, porque eu já ouvi aberrações em nome de Deus, de Jesus e de Maria) para dizer que "tá tranquilo, tá favorável" (bordão este, aliás, acefálico). Tranquilo para quem? Favorável para que? Não se ouve mais um debate político sério, fundamentado... ou se agride ou se agride. E a lígua portuguesa? Esta está pela "hora da misericórdia". Independente de posicionamentos políticos, devemos sempre lembrar que este certame político tem dia e hora para acabar, e depois, continuaremos vizinhos, amigos ou conhecidos, governados por uma pessoa, que deve a todos uma governo ítegro. Independente da camisa que vestiu. E essa situação de colocar o nome de Deus, Jesus ou Maria com "apoiadores políticos" é absurda. Fico abismado com todas estas infames colocações. Religião é religião; política é política; já a ignorância... cada um decide se terá ou não terá. Este é um período em que muitos esquecem quem são e atacam sem dó, sem piedade, jogando fora o entendimento superior do "não faça para o outro aquilo que não queres para si".
Há um trecho da música "Seasons on the abyss", do Slayer, que diz: "Feche seus olhos e esqueça seu nome Saia de si e deixe seus pensamentos drenar, enquanto você enlouquece... enlouquece"...
O mundo não está muito "normal" por estes períodos... muitos estão se afastando da Santíssima Trindade, mas sabe "rogá-los" para as mais absurdas situações...