Em quem a
maioria dos varzedenses vota em prefeito? Um pouco dos tipos de eleitores da
nossa cultura política
Por Jorge Amorim*
Há coisas que me deixam curioso. Uma delas é tentar
compreender a cabeça do varzedense para saber em quem ele declinará seu voto
para prefeito em 02 de outubro próximo.
A resposta é saber quais motivos levam o eleitor
varzedense a sair de sua residência, sítio ou fazenda para votar naquele que
ocupará a cadeira do executivo municipal entre primeiro de janeiro de 2017 e trinta
e um de dezembro de 2020.
Faço, então, a pergunta: como funciona a cabeça do
eleitor de Varzedo ao querer votar em prefeito?
Vai variar muito de pessoa para pessoa, mas pode haver
uma semelhança coletiva.
Uma
grande parcela populacional, por exemplo, acha que para ser prefeito dali se
faz necessário ter nascido ali ou morar lá há muito tempo, o que significa
dizer ser um conhecedor do lugar e de suas pessoas.
Isto pode ser comprovado estatisticamente se observarmos
as eleições de 1989, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008 e 2012, quando obtiveram a
vitória Nonô (1989-1992), Valtinho (1993-1996), dona Tide (1997-2000), Manoel
de Avelino (2001-2004), Déu Araújo (2005-2008) e Radaman (2009-2012,
2013-2016).
E de onde eles são?
Nonô, dona Tide e Radaman nasceram em Varzedo, quando
este pertencia a Santo Antônio de Jesus; Manoel de Avelino e Déu Araújo são
oriundos da zona rural de Varzedo: o primeiro é da comunidade do Barro e o
segundo da região do distrito do Tabuleiro do Castro.
Valtinho, por sua vez, nasceu em Salvador, porém com
poucos meses de recém-nascido passou a morar em Varzedo, adotado pelo casal de
tios Nonô e dona Tide.
Ter um prefeito nativo é sinônimo de saber que poderá
encontrá-lo em sua casa, conhecer sua família e, quem sabe, ter o seu perfil no
Facebook, contato pelo WhatsApp ou número do aparelho celular.
Outro
tipo de eleitor varzedense é o que escolhe votar em prefeito a partir de um
papel que o candidato tem na sociedade local: o de líder natural, carismático,
sem ser autoritário e ter sim liderança na sua área de trabalho.
Houve uma época em que o varzedense temia os seus
líderes, no tempo em que Varzedo era vila e se chamava Vargem Grande.
Já se vai muito tempo.
Hoje, entretanto, o candidato a prefeito que tem atitudes
autoritárias acaba sendo menosprezado, ouvindo dos eleitores a “certeza” de que
votarão nele, embora cheguem à urna eletrônica e digitem o número de outro candidato.
“Né
não é! Ôxe!”
Agora, o que impera na grande parcela é a questão
pessoal, ou seja, a amizade com o candidato, um favor feito por ele, evitando
votar em outro também devido algo pessoal com ele ou com quem o apoia.
Desavença no jogo de víspora, no baralho, no baba, em uma
festa; inveja, antipatia, inimizade com alguém da família e raiva são fortes
motivos para deixar de votar no candidato Fulano para votar no candidato
Sicrano.
Posso ousar dizer que existe outro tipo de eleitor na cultura
política varzedense - nem tanto nem tão pouco - que é aquele que gosta de
quantidade. Seus olhos se enchem em querer votar no candidato a prefeito que
colocar mais carros nas carreatas, mais gente nas passeatas e mais e mais e
mais...
Creio que o relevante, sem dúvida, é ver qual projeto de
governo o candidato a prefeito tem para o município de Varzedo em detrimento de
pedir conserto na casa, dinheiro ou gasolina, vícios implantados no passado e
utilizados hoje como moeda de troca por diversos eleitores. Estou inventando
história?
Para terminar, a imagem mostrada aqui, com algumas
pessoas comemorando a vitória para prefeito de Nonô sobre Flomário em novembro
de 1989, foi o resultado da campanha eleitoral daquela época, em que o natural
da terra venceu o que veio de fora.
A
cabeça da maioria varzedense priorizou no voto quem ela conhecia, estimava e
respeitava independente do partido ou cor, pois estes são só detalhes.
Até
nosso próximo blog.
* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa
(Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo
emancipatório de Varzedo (disponível na internet),
e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do
livro Entre a Serra e a Vargem (2007)
e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. E-mail
para contato: amorimdoporto@hotmail.com




0 comentários:
Postar um comentário