.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Coluna da semana: a origem da disputa pela prefeitura de Varzedo





Disputa pela prefeitura de Varzedo: como tudo começou?

Por Jorge Amorim*






Alguém aí lembra quando aconteceu a primeira eleição para prefeito de Varzedo e quais foram os candidatos?
Se você que lê este blog tiver mais de 35 anos e morava em Varzedo na época do seu plebiscito (08-01-1989) e da sua emancipação (13-06-1989), certamente vai se lembrar da primeira campanha para prefeito, vice-prefeito e vereadores.
Caso lembre ou não, vamos voltar no tempo?
1989. Enquanto a França e outros países ocidentais e capitalistas comemoravam os duzentos anos do início da Revolução Francesa (1789-1799) e o Brasil os cem anos da Proclamação da República (15-11-1889), a ainda vila de Varzedo era sacudida pela disputa eleitoral.
E veiculada pela rede Globo, a novela Tieta, no horário das 20 horas, obtinha alta audiência.
Bom, quem eram os envolvidos naquela disputa?
Os candidatos a prefeito e vice-prefeito filiados a duas chapas lideradas pelos partidos PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e PSC (Partido Social Cristão), popularizados pelos nomes dos seus aspirantes aos cargos.
De um lado, pelo PMDB, estavam o então vereador Nonô e o professor Mesquita; do outro, o também vereador Flomário e o comerciante Chico da farmácia pelo PSC.
Relembremos que Nonô e Flomário exerciam o cargo de vereador por Santo Antônio de Jesus e estavam em Varzedo concorrendo a prefeito com os seus respectivos vices Mesquita e Chico da farmácia.
Lembro-me que as casas de Nonô e de Flomário estavam sempre movimentadas.
A de Nonô, onde hoje é a secretaria municipal da Educação, ficava ao lado da de Chico, atualmente pertencente a Roque de seu Manú, enquanto que a de Flomário, onde hoje é a de seu Manú, estava a cinco casas distante da de Chico e seis da residência de Nonô.
 Como morava na mesma rua daquelas casas agitadas e meu pai, Barrigudo, era candidato a vereador na coligação de Flomário e Chico, o entra e sai de gente era cotidiano, somente não sabendo como era na casa de Mesquita, na época localizada na Rua Padre Antônio Ângelo Gomes de Mendonça, ou Rua do Cemitério.
Os dois lados organizavam seus comícios com bandas, trios e churrascos, além de camisas com estampas dos candidatos, chaveiros, bonés, cartazes e adesivos, distribuídos aos seus seguidores e a quem fingia segui-los para sair ganhando dos dois lados. Destes tipos temos muitos ainda hoje...
Flomário e Chico da farmácia (na foto abaixo, em ordem contrária como candidatos a prefeito e vice-prefeito), apoiados pelo então prefeito de Santo Antônio de Jesus Humberto Leite (1989-1992) e o ex-prefeito Renato Machado, utilizavam o palanque da prefeitura santantoniense nos seus comícios, uma armação de ferro pintada de azul, coberta por lona e com tábuas que serviam de piso.


Nonô e Mesquita (na imagem a seguir, em ordem normal de candidatos a prefeito e vice-prefeito), que tiveram o apoio do então deputado estadual Marcos Medrado e do ex-prefeito de Santo Antônio de Jesus Ursicino Queiroz (1976-1983), faziam seus comícios sobre carrocerias de caminhões de seus seguidores, principalmente o de Tonho de Eurides.


Durante os mais de três meses de campanha política, carros de som cruzavam as ruas pavimentadas e não pavimentadas da ainda vila, indo também puxar votos para os candidatos nas comunidades rurais, circulando pelas variantes de terra que cortavam roças de laranja, mandioca e pastos.
Aquela primeira eleição para prefeito e vice-prefeito foi marcada por duas coisas: a primeira foi a “quase reprodução” dos grupos Jacu e Beija-Flor, rivais políticos em Santo Antônio de Jesus desde os anos 1960, e a disputa entre um filho da terra e alguém de fora.
Nonô representava o filho nascido em Varzedo, enquanto Flomário simbolizava quem não era de Varzedo, tendo alugado a casa de propriedade de seu Crido.
Disse que ambas as candidaturas traziam uma “quase reprodução” dos grupos Jacu e Beija-Flor porque Nonô era ligado a aquele primeiro e Flomário ao segundo.
De uma forma ou de outra, aquela eleição, ocorrida em 15 de novembro de 1989, juntamente com a de presidente da república, foi um divisor de águas para Varzedo: o eleito seria o responsável por gerir o novo município com o seu vice e os nove vereadores, como até hoje é.
Assim, de lá para cá, com todas as facilidades criadas pelo mundo contemporâneo, Varzedo não pode ficar de fora, cabendo aos seus gestores projetá-la como lugar potencialmente viável a partir das suas particularidades.
Para isso, porém, não basta somente viver lá, mas vivê-lo, convivê-lo, reconhecê-lo, discuti-lo, analisá-lo e levá-lo consigo.
Caberá a cada eleitor varzedense decidir isto em 02 de outubro próximo.
Até nosso próximo blog.

* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo emancipatório de Varzedo (disponível na internet), e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do livro Entre a Serra e a Vargem (2007) e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. E-mail para contato: amorimdoporto@hotmail.com




















←  Anterior Proxima  → Página inicial

1 comentários:

  1. Parabéns pela dissertação... eu não sabia q vc tinha abordado este tema... Fico feliz pela lembrança do nome de meu pai (e automaticamente o meu rs)...

    ResponderExcluir