Como estimular o OTIMISMO em Varzedo?
Por Jorge Amorim*

Estando à sombra da Serra do Guariru ou da Jiboia – a palavra “Guariru” vem do tupi-guarani e quer dizer “reservatório de água” –, Varzedo foi analisado por mim no blog da semana passada (“Por que (quase) tudo, segundo dizem lá, acaba em Varzedo?”) como um lugar “do que já teve”.
Resolvi, todavia, deixar para este espaço a reflexão em torno do estímulo ao OTIMISMO naquele lugar, algo que parece ser difícil para muita gente que teima ter se conformado com a continuidade da chatice, do atraso e ficar lembrando somente do velho e saudoso passado sem perceber o presente.
A pergunta que não quer calar é a seguinte: pode-se motivar o OTIMISMO em muitos varzedenses?
Não é uma tarefa fácil nem de pequeno prazo para muita gente, mas ela pode ser iniciada, a meu ver, pela pergunta que a pessoa deve fazer para si mesma: eu sou otimista ou não?
É possível ocorrer certo descontentamento quando se pensa que em Varzedo poderia haver movimento próximo do de Santo Antônio de Jesus, cidade-polo próxima dali uns 15 quilômetros. É importante lembrar que Santo Antônio de Jesus é o que é hoje devido o seu comércio dinâmico estruturado durante anos. Não foi nada ocorrido da noite para o dia.
Aliás, por falar nisto, as exigências de sobrevivência fizeram com que nos últimos anos muitos varzedenses saíssem de sua terra para buscar emprego lá na Capela** e em outros locais.
Sinal dos tempos. Mas embora muitos bairristas discordem isto é importante, pois quando nos defrontamos com outras realidades podemos fazer comparações e contrastes, ajudando nos questionamentos em torno do que pode ser melhorado na sua terra natal.
Posso afirmar que a aura pessimista que acompanha muitos varzedenses pode ser afastada se eles começarem a analisar o que sua terra tem de original, valorizando-o a partir do que está entre a sede do município e a sua roça. A história e a economia locais podem trazer respostas.
Outra coisa que pode ser revista por muitos é a relação entre o individual e o coletivo. Mesmo vendo algumas ações isoladas de bem ao próximo, percebo que em Varzedo há um individualismo exagerado que não deveria ser típico de um lugar pequeno.
Há ali uma atmosfera de inveja tão enraizada que ela é perceptível não só nos bens materiais, mas também em quem ascende a um cargo público, conquista aquele rapaz ou aquela garota tão desejado etc.
A inveja é um dos atrasos humanos que impede a originalidade, a capacidade de criar, quando aquele pecado capital é negativo à pessoa e traz nesta certa raiva inconsciente por aquilo que não tem e quer ter de qualquer jeito, nem que seja preciso ficar sem comer em casa. Se a inveja, porém, for bem dosada e trabalhada ela pode ser um estímulo.
Muitos creem e outros não, porém hoje até a ciência já concorda com a ideia de que o pensamento positivo atrai bons fluidos. Talvez Varzedo esteja precisando mudar o ambiente pesado de coisa negativa por um de mais positividade e OTIMISMO.
Ao invés de repetir lembranças de assassinatos, acidentes fatais, brigas entre gangues pela posse de locais de venda de drogas e suicídios, melhor é falar de quem orgulhou e orgulha o município pelo que fez ou faz, independente de suas origens, inclinações políticas, escolaridade, cor e credo religioso. Quem poderá fazer isto se não o próprio habitante do território de Varzedo, tendo ele nascido ali ou não.
A tolerância é uma característica que ainda falta ser mais estimulada pela maioria varzedense. Você que lê estas palavras concorda ou discorda?
A fotografia abaixo registra mais do que uma comemoração coletiva. Ela representa a alegria que o varzedense pode colher de si a partir do momento em que percebe o melhor do seu conterrâneo, respeitando os seus defeitos e tratando de saber viver e conviver com as diferenças, dogma necessário no mundo atual.
Não há uma receita pronta para buscar o OTIMISMO local. Entretanto, se pode correr atrás dele a partir das atuações individuais e coletivas em diferentes áreas, obtendo o apoio das autoridades políticas e religiosas.
Se muitos lá criam ideias quando estão nas mesas de bar, em festas e em família, levá-las para uma discussão geral é o pontapé inicial. Depende somente do seu próprio povo.
A hora é agora.
Até nosso próximo blog.
* Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009), cuja dissertação defendida tem como tema o processo emancipatório de Varzedo (disponível na internet), e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA). É autor do livro Entre a Serra e a Vargem (2007) e escreve mensalmente uma coluna para o jornal A Folha do Litoral, de Valença. E-mail para contato: amorimdoporto@hotmail.com
**O termo Capela era muito usado por pessoas idosas de Varzedo ao se referirem a cidade de Santo Antônio de Jesus, que até o século XIX era chamada de Capela de Santo Antônio de Jesus, uma alusão a capela construída pelo padre Matheus Vieira, onde hoje se encontra a Praça Padre Matheus. Para mais informações sobre a história de Santo Antônio de Jesus, ler os livros Matas do Sertão de Baixo, de Isaías Alves, A Capela do Padre Matheus, de Fernando Pinto de Queiroz, Santo Antônio de Jesus: suas origens e sua gente, de Hélio Valadão, e Recôncavo sul: terra, homens, economia e poder no século XIX, da professora Ana Maria Carvalho de Oliveira.




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