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terça-feira, 31 de maio de 2016

Varzedo:30 anos do Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição; conheça sua história






Entrada do Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição. Fonte: www.censceducandoparaavida.blogspot.com

Em 1986, enquanto o Brasil se preparava para eleger nos Estados governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais, assim como para a Copa do Mundo realizada no México, a então vila de Varzedo aumentava seus passos no processo de emancipação político-administrativa e via ser inaugurado o Colégio de 2º Grau Nossa Senhora da Conceição**, como era assim chamado na época e por bom tempo.

Que fique logo claro que o Colégio de 2º Grau foi fundado sem uma sede própria, ou seja, sem um prédio com salas, banheiros, diretoria, cantina, biblioteca e dispensa. Esqueça-se disto! A inauguração, ou diria melhor, a fundação do Colégio de 2º Grau ocorreu em 16 de fevereiro de 1986 no lugar que chamávamos de salão paroquial, um imóvel anexado a casa paroquial, localizada defronte a Praça 08 de Dezembro.

Naquele salão paroquial e naquela data, o padre Gilberto Vaz Sampaio (1927-2008) e os professores José Francisco Barreto Neto (Chiquinho), Luiz Carlos Farias Mesquita (Mesquita), Pedro Barroso Sobrinho, Maria Sampaio das Mercês Sobrinho (Lia), Maria Angélica Nogueira Leal, Rita de Cássia Sampaio Bitencourt (Rita de seu Vadinho) e Maria Helenita Sampaio Bitencourt (professora Mita), os quais assinaram a ata de fundação, reuniram-se com participantes da comunidade da vila.

Daquela reunião lavrada em ata em diante, o Colégio de 2º Grau funcionou em vários imóveis de Varzedo: no salão paroquial (na Praça 08 de Dezembro), na “escola da professora Mita” (prédio da atual câmara de vereadores, que fica na Rua Coronel José Augusto), no “salão do padre” (onde foi construído o Colégio de 1º Grau Monsenhor Gilberto Vaz Sampaio), no centro comunitário (na Rua Padre Antônio Ângelo Gomes de Mendonça ou Rua do Cemitério) e em um prédio construído na época em que Manoel José de Souza, Nonô (1920-1992) foi prefeito (1990-1992), obtendo sua sede própria em 2002.

Nessas três décadas, o Colégio de 2º Grau teve professores de diferentes lugares, auxiliares de secretarias dali de Varzedo e de fora e estudantes vindos de sítios e fazendas da zona rural e de casas da zona urbana. Do extinto curso de magistério a nível secundário até o de formação geral gerações estudantis conseguiram sair do Colégio direto para universidades.

Mas a importância do Colégio de 2º Grau não continua a ser somente para os estudantes, pois não devemos deixar de registrar aqui a presença da instituição escolar na emancipação de Varzedo, que neste ano de 2016 comemora 26 anos.

O livro Emancipação de Varzedo-Quatro Anos de Luta (2007), do padre Gilberto Vaz Sampaio, o artigo da professora Ednólia Maria de Jesus Souza intitulado História do Colégio de 2º Grau Nossa Senhora da Conceição, Varzedo-Ba (1986-1999) e o meu livro, cujo título é Entre a Serra e a Vargem (2007), são unânimes ao dizerem que a atuação de professores e estudantes do Colégio de 2º Grau no movimento emancipacionista de Varzedo, ocorrido entre 1985 e 1989, foi contundentemente importante.

Isto não teria como não acontecer por uma simples razão: quem tem conhecimento e poder de opinião é quem consegue propagar suas ideias.

Embora chamemos aqui “Colégio de 2º Grau”, a partir de 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº 9.394, o antigo ensino de 2º grau passou a ser denominado de ensino médio, fazendo parte da chamada educação básica (ver LDB nº 9.394/96, artigos 4º e 8º). Portanto, o Colégio de 2º Grau Nossa Senhora da Conceição adquiriu a denominação de Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição (e tendo como sigla CENSC), entidade escolar mantida pelo governo do Estado da Bahia desde a sua estadualização, concretizada em 2002.





Diante de tudo isto, um colégio que começou seu funcionamento nos fundos da casa paroquial de Varzedo, teve apoio dos prefeitos Manoel José de Souza, Nonô (1990-1992), Valter Bonfim Lago, Valtinho (1993-1996), Erotildes Silva Souza, dona Tide (1997-2000), Manoel Souza Andrade, Manoel de Avelino (2001-2004), Deusdete de Souza Araújo, Déu Araújo (2005-2008) e Radaman de Souza Barreto (2009-2012/ 2013-2016), professores de diferentes lugares e estudantes de discrepantes famílias socioeconômicas, precisa ser considerado uma joia rara varzedense e ocupar a posição de um dos pilares da emancipação de Varzedo.

Apesar de ter passado quatro meses, desejo vida longa ao colégio que foi uma das minhas bases intelectuais: o COLÉGIO ESTADUAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO.


Voz do Recôncavo/Por Jorge Amorim*


*Mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa (Portugal, 2009) e professor da Faculdade Tecnológica Integrada de Valença (FACTIVA).
**O nome Nossa Senhora da Conceição foi dado em homenagem a padroeira de Varzedo, Nossa Senhora Imaculada Conceição.



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